70 Anos de História: Sociedade Cultural e Recreativa Parobé celebra sete décadas de cultura e memórias
Fundado em 1956, o clube que começou promovendo um baile anual em salões públicos construiu sua trajetória com o esforço da comunidade e se tornou um dos grandes marcos sociais e culturais da cidade.
Neste dia 9 de abril de 2026, a Sociedade Cultural e Recreativa Parobé atinge a expressiva marca de 70 anos de fundação. Muito mais do que uma estrutura física, as sete décadas do clube narram a própria evolução da comunidade parobeense, marcada pelo trabalho coletivo e pela vontade de criar um espaço dedicado ao lazer, à cultura e à convivência das famílias. A Sociedade se consolidou como o clube social com mais longevidade na cidade de Parobé, sucedendo o Clube Social Divertidos (fundado em 1925, de curta duração) e a tradição de festas realizadas em salões e casas de família.
A trajetória da Sociedade teve início em 9 de abril de 1956. Seu primeiro presidente foi Nilo Carlito Köetz, ex-sócio da fábrica Calçados Brenner Koetz Cia. Ltda., que viria a assumir a presidência uma segunda vez entre 1961 e 1962.
De acordo com o livro “Uma Fazenda, Um Sobrado, A Estação”, da autora Lígia Mosmann, em seus primórdios o clube não possuía sede própria, limitando-se a realizar grandes bailes anuais em salões públicos. Os associados se reuniam inicialmente no tradicional Salão de Cristiano Dienstmann, localizado na Rua Dr. Legendre. O local é conhecido como o prédio que sediou o Cine Central e o Mercado Pampa, sendo hoje o terreno ocupado pela Panvel.
Com a chegada da década de 1960 e o crescimento das atividades, a necessidade de um espaço próprio tornou-se urgente. Houve uma forte discussão sobre o local da sede: uma parte desejava construí-la em frente à Igreja Evangélica de Confissão Luterana, mas venceu a proposta de instalá-la na Rua Fernando Saft, em um terreno de propriedade de Alfredo Mosmann.
Sem recursos financeiros para uma construção do zero, a diretoria optou pela compra de um grande pavilhão de madeira que estava à venda na Casa de Pedra, na cidade de Igrejinha. O galpão, que já incluía uma cancha de bolão, foi desmontado e reerguido em Parobé. Neste local, o clube realizou diversos eventos inesquecíveis, como os Bailes de Kerb, Bailes dos Solteiros, Bailes dos Namorados e reuniões dançantes.
O empenho dessa fase é atestado nesta foto da década de 1960, que eternizaram a diretoria da época: Almir Avelino Ohlweiler, Luiz Mosmann, Celomar Silva, Hugo Peters, Oscar Auler, Arthur Lehnen e Augusto Walter Willers. A foto original, retirada da Revista Atafona, possui baixa qualidade, portanto, gerei uma nova versão do retrato em preto e branco e colorizada, para ilustrar melhor a matéria.
A finalidade central da Sociedade sempre foi promover a integração. O aspecto cultural era muito forte: o clube mantinha um grupo de canto e promovia memoráveis encontros de corais da região durante os bailes de aniversário.
O esporte também movimentava a comunidade desde o início, especialmente através dos disputados torneios de bolão. A modalidade dividia os moradores em times:
- Equipes Masculinas: Lobisomem (da qual o presidente Nilo Carlito Köetz fazia parte, reunindo-se às sextas-feiras), Minuano e União.
- Equipes Femininas: Farroupilha e Primavera.
Além do bolão, o clube sediava jogos de cartas, o Baile do Espeto e o tradicional Festival do Chopp.
A vontade de construir uma sede maior em alvenaria falava mais alto. Como o terreno na Rua Fernando Saft era muito pequeno para o novo projeto, a diretoria arriscou e fez uma permuta: trocou o terreno ao lado, de Alfredo Mosmann, por uma área de Frederico Feiten, localizada próxima ao campo do Grêmio Esportivo Parobé.
Para levantar fundos para a construção, a diretoria lançou a venda de títulos patrimoniais. O primeiro associado a adquirir um título foi Irineu Linden.
A comissão de construção foi formada por Luíz Mosmann, Nilo Carlito Köetz e Ivo Ritter. A planta foi elaborada gratuitamente com a ajuda de Edésio Mosmann (fundador da Pastifício Mosmann), que intermediou o contato com uma empresa de engenharia na cidade de Porto Alegre. A execução ficou a cargo de Egídio Schneider, e os materiais foram adquiridos na região e na capital (como as telhas da empresa Irmãos Weinstein).
O sonho foi realizado em 1970, com um grandioso Baile de Inauguração. O descerramento da fita contou com o presidente do clube, Ady Sohne, o prefeito da cidade de Taquara na época, Juca Lehnen, além de Fernando Lehnen e esposa, Irineu Linden, Nair Sohne, Arnildo Haag, Estela e Neucir Hartz. O prédio passaria por expansões nas décadas seguintes, incluindo a inauguração da piscina e da cancha de tênis em 1980.
Em 26 de agosto de 1972, sob a presidência de Hélio Krumennauer, a Sociedade recebeu um evento de proporções inéditas: um show do cantor Roberto Carlos, contratado através do empresário Kopschina por uma fortuna para a época.
A noite foi marcada por tensão. Choveu muito naquele dia, e enquanto Roberto Carlos, seu produtor e um segurança chegaram cedo em seu Galaxie, a banda de apoio RC7 não chegava. Passava das 22h e o artista decretou: “Sem a banda não me apresento”. Ele chegou a abandonar o local de carro, mas Neucir Hartz e outros membros da diretoria conseguiram alcançá-lo na saída de Parobé no exato momento em que o veículo da banda finalmente vencia a lama e chegava à cidade.
Todos retornaram. Enquanto a banda de abertura, Guaíba Show, acalmava o público, o RC7 jogava bolão na cancha do clube e Roberto Carlos aguardava no camarim. O show começou às 2h da madrugada e durou cerca de uma hora, antes que o cantor seguisse para outro compromisso em Porto Alegre.
A partir da segunda metade da década de 1970, a Sociedade tornou-se o epicentro da juventude da região abrigando três boates icônicas: Corujão, Beijo Acrílico e Karaoukê.
Em abril de 1976, cartazes anunciavam: “Chega lá Xará! Pré-inauguração da Boite Corujão”. Inaugurada em 1º de maio de 1976, foi idealizada pelo departamento jovem fundado por Jorge e João (filhos de Ingo Petry, então responsável pelas finanças), Irton Feller, Mazinho (Lindemar Hartz), Luís Antônio de Souza, Fernando Tamujo e Érico Haack. O nome foi sugerido por Vandernei Zimmer. A presidência do clube era de Neucir Hartz.
Após contratarem uma equipe de som mecânico da cidade de Novo Hamburgo no início, os membros compraram equipamentos próprios na loja Cotempo (Porto Alegre), incluindo uma mesa de som com dois pratos da marca Polivox. Os discos de vinil eram comprados na Galeria Chaves (Porto Alegre) e em Novo Hamburgo, com discotecagem de Jorge e Luis Altenhoven.

Sempre lotada aos sábados, a Corujão tocou o rock das bandas Queen, Kansas, Pink Floyd, Rolling Stones, Bee Gees e a ascensão da disco music. Promoveu grandes festas, como a Cascalho Time e a Fernando Vieira, além de shows de artistas nacionais, como Alceu Valença, Rita Lee e Zé Ramalho. A decoração contava com um icônico painel de uma coruja sobre um galho com uma lua ao fundo, idealizado por Érico Haack.
Na primeira metade da década de 1980, o nome foi alterado temporariamente para Beijo Acrílico, durando cerca de dois anos.
Após reformas apoiadas pela diretoria, a Karaoukê foi inaugurada em 31 de maio de 1986. A diretoria da boate na época contava com Sérgio Piantá (presidente), Raimundo Nonato (vice), Gisele de Oliveira (secretária), Francisco da Silveira (tesoureiro), Dilson Duarte (publicidade), Jurande Oliveira (social), Carlos Auro (esportes) e Elis Regina e Celestina Jahn (departamento feminino).
Em 2006, o clube celebrou seus 50 anos com o Baile do Ano do Cinquentenário. A data foi marcada por torneios, lançamento de uma revista comemorativa e o descerramento de uma placa em homenagem aos ex-presidentes. Houve também um festival de bandas de rock em parceria com a Karaoukê e homenagens especiais ao primeiro ecônomo, Nelson Peters (representado por Zuleika Peters), e aos coordenadores da antiga Boate Corujão (Lindemar Valdir Hartz, Irton Feller e Luiz Antônio de Souza). Nos anos 2000, eventos como a Festa do Ridículo continuaram a manter o salão cheio.
Hoje, ao comemorar seus 70 anos de história, a Sociedade Cultural e Recreativa de Parobé se firma como um verdadeiro patrimônio de dedicação e de memórias compartilhadas por muitas gerações. Ao longo deste mês e do próximo, vou publicar novas fotos e contar mais detalhes sobre a trajetória desse espaço, que continua de portas abertas e mantendo as tradições da cidade sempre vivas.
Crédito das fotos:
Acervo pessoal
Acervo de Elisabeth Haag/Renaty Haag
Foto da diretoria retirada da Revista Atafona nº 32 de novembro de 2009
Fontes:
Revista Atafona nº 32 de novembro de 2009
MOSMANN, Ligia. Uma Fazenda, um sobrado, uma estação… Parobé uma história a ser contada! Parobé, 1999.
Revista do Cinquentenário – 2006
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