De Estação Ferroviária a Praça 1º de Maio: o coração histórico de Parobé

Muito antes de abrigar canteiros e o convívio da comunidade, a área localizada entre as ruas Dr. Legendre e João Mosmann pulsava ao ritmo da estrada de ferro. A história da atual Praça 1º de Maio e de seu entorno confunde-se com a própria origem do município, tendo como marco central o prédio que hoje abriga o Museu Histórico de Parobé.

Erguida em terras desmembradas da antiga Fazenda Pires, então pertencentes a João Mosmann, a Estação Parobé foi inaugurada em 15 de agosto de 1903. A edificação de alvenaria integrava a primeira parte do ramal ferroviário que conectava Novo Hamburgo a Taquara. Foi a partir da intensa movimentação de cargas e passageiros gerada por essa estação que o traçado das principais vias locais, como as próprias ruas João Mosmann e Dr. Legendre, começou a se configurar, ditando o desenvolvimento urbano do vilarejo. Ao lado do prédio, um poço d’água – ainda hoje preservado no local – cumpria a função vital de abastecer as caldeiras das locomotivas a vapor.

Com o avanço das rodovias e o declínio do transporte ferroviário em meados da década de 1960, a linha foi desativada. A remoção dos trilhos deixou um grande vazio urbano cortando o centro do então 3º distrito de Taquara. A data oficial da transformação desse espaço ocorreu em 8 de outubro de 1975, com a promulgação da Lei nº 638/1975 pelo prefeito taquarense Alceu Martins, após aprovação na Câmara Municipal dois dias antes.

Confira abaixo, na íntegra, o documento que oficializou a denominação do local:

LEI Nº 638/1975

Denomina “1º de Maio” a praça de Parobé.

ALCEU MARTINS, Prefeito Municipal de Taquara, FAÇO SABER que a Câmara Municipal, em sessão realizada em 06 de outubro de 1975, aprovou e eu sanciono e promulgo a seguinte Lei:

Art. 1º Fica denominada 1º de Maio a Praça de Parobé, localizada entre as ruas Dr. Legendre e João Mossmann.

Parágrafo único. Placa denominativa poderá ser ali afixada com a data da inauguração e governos em cujas gestões foi construída.

Art. 2º Revogadas as disposições em contrário, a presente Lei entrará em vigor na data de sua publicação.

GABINETE DO PREFEITO MUNICIPAL DE TAQUARA, 08 de outubro de 1975.

Bel. Alceu Martins

Prefeito Municipal

O prédio da Estação Parobé e o entorno

O antigo prédio da estação resistiu ao tempo e às transformações da praça. Embora tenha desempenhado diferentes papéis fundamentais para a comunidade ao longo de sua existência — servindo inclusive como espaço para salas de aula do antigo Grupo Escolar Parobé (atual Escola Engenheiro Parobé) —, o prédio manteve suas raízes fincadas na era das ferrovias. Vale notar que, com o aterramento e a urbanização da praça ao longo das décadas, a edificação histórica acabou ficando em uma área levemente rebaixada em relação ao entorno.

A consolidação da área de lazer ocorreu de forma gradual. Registros fotográficos de uma festa de Dia das Crianças em 1986 ilustram essa transição urbana e mostram a praça ainda em desenvolvimento, com árvores recém-plantadas, em contraste com as frondosas árvores de hoje. No coração do espaço, destaca-se o prédio da antiga estação ferroviária, já com os acréscimos numa das laterais. Ao redor dele, percebe-se o desenho geométrico original das calçadas e dos canteiros, além do grande pátio aberto à direita — onde as crianças brincavam na época —, que somente na década seguinte daria lugar à quadra poliesportiva. Importante citar também que dezenas de árvores foram plantadas pelo Rotary Club Parobé, desde a fundação do clube, em 1977. Uma delas permanece em destaque na praça, uma figueira ao lado da Rua João Mosmann, que no próximo ano também celebrará seus 50 anos de idade.

Na margem esquerda das imagens que ilustram nosso texto, acompanhando o traçado da Rua João Mosmann, a paisagem revela a evolução comercial e arquitetônica do entorno: observa-se a residência de esquina que futuramente abrigaria a loja da Bibi, com sua conhecida escadaria, e, logo ao lado, o amplo terreno baldio que anos depois receberia o Edifício Parobé Central Park, onde sediou o Banco Meridional, posteriormente agência do Santander, hoje fechada.

Hoje, a edificação de 1903 não apenas sobreviveu às mudanças, mas assumiu o papel de guardiã da memória local como sede do Museu Histórico de Parobé. De ponto de embarque da Maria Fumaça a patrimônio cultural, a Praça 1º de Maio segue sendo o verdadeiro ponto de encontro e o coração histórico da cidade.

Fontes:

ESTAÇÕES FERROVIÁRIAS DO BRASIL. Parobé. 27 nov. 2017. Disponível em: http://www.estacoesferroviarias.com.br/rs_linhaspoa/parobe.htm. Acesso em: 11 dez. 2021.

INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO DO ESTADO (Rio Grande do Sul). Patrimônio Ferroviário no Rio Grande do Sul: Inventário das Estações 1874 – 1959. Porto Alegre: Pallotti, 2002.

LEITE, Maicon Luís Custódio. Inventário do Patrimônio Arquitetônico, Histórico e Cultural de Parobé: Estação Parobé – Museu Histórico de Parobé. Parobé: FACCAT, 30 nov. 2021.

MOEHLECKE, Germano Oscar. Estrada de Ferro: contribuição para a história da primeira ferrovia do Rio Grande do Sul. São Leopoldo: Rotermund, 2004.

MOSMANN, Lígia. Uma Fazenda, Um Sobrado, A Estação… Parobé, Uma História a Ser Contada. Parobé: Prefeitura Municipal de Parobé, 1999.

TAQUARA (RS). Lei nº 638, de 8 de outubro de 1975. Denomina “1º de Maio” a praça de Parobé. Taquara: Gabinete do Prefeito Municipal, 1975.

Créditos das fotos:

Acervo do Museu Histórico de Parobé – digitalizada/editada por Maicon Leite

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