As Rústicas do Sesi na década de 1980 e a reconfiguração urbana de Parobé
A década de 1980 marcou um período de intensa transição para Parobé, onde o esporte, a força das fábricas e a reconfiguração urbana se encontravam lado a lado. As fotografias das Rústicas do Sesi capturam a cidade no exato momento em que consolidava sua vocação industrial calçadista e redefinia seus espaços públicos. Nas imagens, o esforço nas ruas divide a cena com locais históricos e geográficos que contam a história de um município em pleno desenvolvimento, no qual antigas estruturas ferroviárias ganhavam usos institucionais e a paisagem natural começava o longo processo de regeneração que culminaria, agora, em leis de proteção ambiental. Como costumamos falar, as fotos têm “muitas camadas” a serem reveladas.
No centro desses registros, ergue-se o prédio de alvenaria na Praça 1º de Maio. Inaugurada em 15 de agosto de 1903, a Estação Parobé foi o marco zero e a grande catalisadora do processo de urbanização local. Com o fim da circulação dos trens no trecho Novo Hamburgo–Taquara em 1964, a estrutura precisou se reinventar. Quando o atleta Pedrinho “Bala” Soares correu na Rua João Mosmann nas rústicas dos anos 80, o local vivia uma fase importante: o prédio havia deixado de ser estação e sala de aula do Grupo Escolar Parobé e passou a abrigar a agência da Caixa Econômica Federal e, após a emancipação do município em 1982, tornou-se a sede da Câmara de Vereadores.
Foi somente anos mais tarde, em 2002, após um período que sediou a biblioteca municipal, que a construção assumiu o papel de salvaguarda da memória local, tornando-se o atual Museu Histórico de Parobé, que hoje segue firme em seu propósito. Interessante notar que o “puxadinho” à esquerda do prédio da Estação Parobé não faz parte da construção original, tendo sido erigido por volta do final da década de 1970, pois anteriormente havia um “puxadinho” de madeira no mesmo local, onde havia uma copa e uma sala de aula, que atendia a 1º e 2º séries do Grupo Escolar Parobé, atual Escola Estadual de Ensino Médio Engenheiro Parobé.

Dentro do mesmo contexto temos a Praça 1º de Maio, que na época, como podemos ver, ainda tinha jovens árvores, que hoje compõe alguns belos espécimes que dão vida ao coração da cidade. Após o término do trecho da estrada de ferro que por ali passava, o terreno ficou praticamente sem uso, até que, devido ao trabalho de lideranças locais e do Rotary, deu-se início à construção da praça, por volta da segunda metade da década de 1970. Ainda hoje, há uma árvore plantada pelo Rotary em 1977, ao lado da Rua João Mosmann. Entretanto, temos visto recentemente o corte de algumas destas árvores mais antigas, embora mudas novas tenham sido plantadas ao lado das derrubadas.
Saiba toda a história do prédio:
https://historiadeparobe.com.br/2025/08/15/uma-jornada-de-122-anos-a-historia-da-estacao-parobe/
A engrenagem que movimentava a economia e viabilizava a intensa agenda de eventos vinha das indústrias locais. O percurso exigia resistência para cruzar o calçamento irregular de pedra da Rua Fernando Saft e o asfalto da rodovia RS-239. A escolta do corredor, feita por uma perua Variant com a marca Isabela, ilustra a presença onipresente da Calçados Starsax. O impacto da empresa, que surgiu da Saft, Schmidt & Cia. Ltda, ia muito além da geração de empregos. A Starsax, assim como as demais empresas da época, mobilizava seus funcionários a integrarem as atividades esportivas da cidade. O esporte operário era levado a sério e criava um forte senso de pertencimento; os trabalhadores participavam ativamente dos Jogos do Sesi e das Olimpíadas do Rotary. A organização desses grandes eventos dependia do trabalho de bastidores de pessoas como Marco Aurélio Prates de Vargas, registrado na foto da Praça 1º de Maio de óculos de sol e bolsa a tiracolo, que coordenava a rústica e outros eventos do Sesi e do Rotary.
Lembranças de uma Olimpíada do Rotary:
https://historiadeparobe.com.br/2024/10/18/abertura-da-ix-olimpiada-da-industria-e-comercio-do-rotary-em-setembro-de-1986/
A paisagem ao fundo da foto revela outra transformação profunda no cenário urbano. O “Morro dos Ricos” aparece na fotografia com a encosta praticamente “pelada”, expondo o nível de supressão vegetal daquela época. O fato de a natureza ter conseguido se regenerar ao longo das últimas quatro décadas confere um peso histórico fundamental a um projeto de lei proposto pelo vereador Diego dos Santos Rodrigues. A proposta, que visa criar a Zona de Preservação Ambiental Alto Verde, atua diretamente na proteção desse cinturão geográfico que divide os bairros Nova Parobé e Planasa da região central.
Ao olhar para a foto do morro desmatado no passado, compreende-se a urgência da lei. O projeto restringe o acesso à área exclusivamente para fins de observação científica e educacional, proibindo loteamentos, trilhas informais, acampamentos e qualquer uso recreativo. Essa barreira legal garante que o ecossistema recuperado não sofra novamente com a pressão do impacto humano, transformando a antiga encosta desmatada das fotos dos anos 80 em um patrimônio ecológico e urbano protegido para as futuras gerações. É importante que a atual administração e as próximas olhem com cuidado para o pouco de natureza que ainda resta na zona urbana do município.
Agradecimentos pela colaboração: Marco Aurélio Prates e Lindemar Hartz (Mazinho)
Créditos das fotos: Pedro “Bala” Soares
Fontes:
PAROBÉ (RS). Câmara Municipal. Projeto de Lei Ordinária Legislativo nº 1. Denomina e qualifica Zona de Preservação Ambiental de Relevante Interesse Ecológico com o nome de ALTO VERDE com fins de observação científica e educacional, e dá outras providências. Autor: Diego dos Santos Rodrigues. Parobé, RS: Câmara Municipal, [2026]. Disponível em: https://www.parobe.rs.leg.br/proposicao/numero/4137. Acesso em: 16 maio 2026.
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