A presença da Igreja Católica na comunidade de Parobé remonta aos tempos das antigas fazendas e de uma época de grande importância para a região. Era a religião reconhecida pelo governo imperial e assim continuou por muitos anos no Brasil republicano. Em 1853, foi inaugurada a primeira capela da região, em louvor a Santa Cristina, na localidade de Santa Cristina do Pinhal. Posteriormente, com o desenvolvimento do povoado em torno da estação férrea, surgiu a organização dos católicos para terem seu próprio templo na área central.
Até 1914, os moradores utilizavam a atafona de João Mosmann para as missas. Como o local não era adequado, Mosmann doou o terreno onde foi construída a capela, expressando a vontade de a ver consagrada com a denominação do santo que lhe dera o nome. Foi lançada a “Pedra fundamental” e as obras iniciaram a seguir. Em três anos, a comunidade já sentia orgulho de ter o seu templo, inaugurado em 1917 com missa, cerimônia e festa. Mesmo sem um pároco residente, os católicos organizaram-se para a construção. Nessa época, a comunidade pertencia à Paróquia Senhor Bom Jesus de Taquara, e as missas em Parobé eram mensais, com o padre vindo da sede.
Desde a inauguração da igreja, surgiu o costume de comemorar a data como o dia festivo dos paroquianos. O costume de festejar São João segue até os dias de hoje, ocorrendo no final de semana mais próximo ao seu dia, 24 de junho. A festa começava dias antes com um tríduo preparatório e, no domingo de manhã, realizava-se uma missa festival. Os festeiros e os alferes entravam na igreja atrás do padre e dos sacristãos ou coroinhas como hoje são conhecidos. Eles carregavam os estandartes e as bandeiras, sempre acompanhados, até a porta, por um grande foguetório e acordes de uma bandinha bem ao estilo alemão.
Terminada a festa, era organizada uma procissão. O padre e os sacristãos seguiam na frente e, logo atrás, formando duas alas (uma de cada lado da rua), seguiam as crianças, depois os jovens, as mulheres e, finalmente, os homens adultos. No corredor formado entre as alas vinha o andor com a imagem de São João, carregado por quatro homens fortes, os festeiros e alferes com estandartes e bandeiras, o coro de cantores e, finalmente, a bandinha e os fogueteiros. Nesse momento, havia o anúncio dos festeiros do ano seguinte, que já começavam a trabalhar para o próximo evento.
Em matéria publicada na Revista Atafona nº 14, de junho de 2005, Ligia Mosmann descreve que a festa inicialmente servia para angariar recursos e era realizada em frente à antiga e pequena capela. Como os recursos eram escassos, não foi possível construir um salão de festas, então tendas foram armadas para as festividades, com espaço para jogos, barracas de comidas e bebidas, e para os músicos.
Havia um tradicional jogo de apostas conhecido como “Pradinho”. O aparelho constituía-se de quatro aros móveis de metal na horizontal, onde se fixavam pequenos cavalos com jóqueis em diversas cores para facilitar as apostas. O operador dava um impulso inicial e uma palheta funcionava como trava; os aros iam perdendo velocidade irregularmente, distanciando os cavalos. O primeiro a ultrapassar a marca de chegada garantia o prêmio (dinheiro) ao apostador. A tenda estava sempre cercada de jogadores, curiosos e crianças. A brincadeira acabou condenada ao esquecimento quando foram proibidos jogos em dinheiro.

Todo o lucro obtido com esse e outros jogos era aplicado em melhorias. Foi através desses recursos que, em 1931, a comunidade conseguiu erguer a torre da igreja. Nesse período, a comunidade já realizava batismos, comunhões e casamentos no templo, o que gerava grande satisfação nas famílias. Na década de 1940, foi construído um novo templo, que manteve a mesma torre de 1931. Na década de 1950, com os recursos das festas e rifas, conseguiram erguer um barracão de madeira no lugar onde posteriormente seria construída a casa canônica. Esse local servia para as festas, evitando preocupações com as condições climáticas de frio e chuva.
Mas, mesmo com todo esse crescimento, a comunidade ainda fazia parte de Taquara. Para ter a própria Paróquia, um grupo de cidadãos reuniu-se e iniciou os trâmites. O arcebispo Dom Vicente Scherer pediu que primeiro fosse construída a casa paroquial. O decreto de instalação da paróquia ocorreu em 25 de dezembro de 1962 e, em 24 de fevereiro de 1963, chegou o primeiro pároco, padre Adolfo Jorge Fontana, calorosamente acolhido com toque de sinos, foguetes, palmas e missa.
Em relação ao templo construído na década de 1940, por volta de 2010 foi concluída uma reforma que modificou o ponto do telhado e apresentou nova moldura para as janelas e a porta principal. A torre manteve-se inalterada, simbolizando a presença da igreja católica no centro de Parobé. A igreja representa um lugar de sociabilidade que vai além da religião. Nas festas e promoções, todos os credos colaboram, reconhecendo a Igreja São João Batista como um lugar de memória e da história de Parobé.
A foto que ilustra nossa matéria foi tirada provavelmente no ano de 1930, pois, como vimos, somente em 1931 seria erguida sua torre. Ao lado, podemos notar um telhado decorado com bandeirinhas de festa junina, com um menino posando para a foto. A imagem foi colorizada com base em informações de Ligia Mosmann sobre a provável cor da igreja na época. O intuito da colorização é dar mais vida à fotografia e melhorar a visualização de seus detalhes, ao mesmo tempo em que a foto original também está disponível na matéria.
Colaboração: Ligia Mosmann
Fonte:
Revista Atafona nº 14, de junho de 2005.
Créditos da foto:
Acervo do Museu Histórico de Parobé, digitalizada/editada/colorizada por Maicon Leite
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