Uma fotografia da década de 1930 captura um momento importante da fé católica no antigo povoado de Parobé. Nela, a população realiza a Procissão de São João Batista, caminhando pelo cruzamento entre o que hoje seriam as ruas Dr. Legendre e a João Mosmann. Ao fundo da imagem, destacam-se os trilhos da linha férrea em direção a Taquara, onde hoje se localiza a Avenida Taquara. Após passar por estre trecho, o trem corria pela atual Avenida das Nações para depois alcançar a ponte pelo rio Santa Maria (atual Paranhana) e seguir para a Estação Taquara.
Na foto, tirada pouco abaixo da igreja, podemos vislumbrar, além dos trilhos do trem, a vegetação que rodeava o local, além da casa da família Scheffel à direita. Ali, atualmente, se encontra a Colombo. Neste elevado central passava os trilhos do trem.
A estrada de ferro Novo Hamburgo–Taquara foi o verdadeiro motor do desenvolvimento do Vale do Paranhana. A Estação Parobé converteu uma área estritamente agrícola em um polo logístico, e os trilhos definiram a planta do vilarejo. O cruzamento das vias evidencia como o comércio e as residências das famílias pioneiras se aglomeraram estrategicamente ao redor da estação, marcando a transição das antigas extensões de terra para os primeiros loteamentos urbanos.
A história dessa celebração remonta a 1924, ano em que a comunidade católica de Parobé começou a festejar seu padroeiro São João Batista. Segundo a pesquisadora e escritora Ligia Mosmann — em seu livro “Uma fazenda, um sobrado, a estação… Parobé, uma história a ser contada” —, a comunidade festejava seu padroeiro no final de semana mais próximo ao dia 24 de junho. Em matéria publicada na Revista Atafona (nº 14, de 2005), a autora detalha a festividade, que começava dias antes com um tríduo preparatório.
No domingo pela manhã, a missa festival abria as comemorações. Festeiros e alferes entravam na igreja atrás do padre e dos sacristãos (hoje coroinhas), seguidos por um grande foguetório e pelos acordes de uma bandinha típica alemã. O momento representava também uma afirmação do espaço católico na região. O Vale do Paranhana, de forte imigração germânica, possuía maioria protestante, ligada à Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB). A procissão, portanto, era uma forma de ocupação visual e sonora do espaço público, demarcando a presença da congregação.
A ordem do desfile era rigorosa: o padre e os sacristãos à frente, seguidos por alas formadas por crianças, jovens, mulheres e homens adultos. No corredor central formado por essas alas, avançava o andor com a imagem de São João, decorado e carregado por quatro homens fortes. Acompanhavam-no os festeiros, os alferes com seus estandartes, o coro de cantores e, fechando o cortejo, a bandinha e os fogueteiros.
O grupo saía da igreja, transitava entre as ruas Dr. Legendre e João Mosmann, cruzando os trilhos e depois voltando a igreja. Essa dinâmica evidenciava uma convivência pacífica e de profundo respeito interpessoal na época: os não católicos acompanhavam a passagem do cortejo parados nas calçadas, portas e janelas, guardando um rigoroso silêncio.
De volta à igreja, a parte religiosa encerrava-se com a proclamação dos organizadores do ano seguinte. A escolha seguia a tradição: festeiros eram selecionados entre casais; o alferes encarregado da bandeira saía entre os jovens solteiros; e a responsável por enfeitar o andor era uma moça solteira com dotes para decoração. O rito introduzia os mais jovens nas tradições, garantindo a continuidade do costume.
Com o término das cerimônias, o público dirigia-se ao antigo barracão para o tradicional churrasco de almoço. As comemorações, animadas pelas bandinhas, com jogos e leilão de ofertas, seguiam durante o resto do domingo. Na década de 1950, essas atividades de sociabilidade foram transferidas para o pavilhão de festas construído ao lado da igreja. Em uma época de raras opções de encontros sociais, a festa representava um acontecimento vital, rendendo assunto no povoado por muitos dias.
A força dessa tradição ajudou a consolidar a infraestrutura religiosa da comunidade. Embora a igreja original tenha sido inaugurada em 1917, a Paróquia São João Batista de Parobé — antes pertencente à Paróquia Senhor Bom Jesus de Taquara — foi fundada oficialmente em 25 de dezembro de 1962, vinte anos antes da emancipação do município. Com o desenvolvimento local, um grupo de senhores mobilizou-se para sua criação. O arcebispo Dom Vicente Scherer exigiu a construção prévia da casa paroquial para aprovar o pedido. Cumprida a meta, em 24 de fevereiro de 1963, o primeiro pároco, Padre Adolfo Jorge Fontana, foi recebido calorosamente com festa, toque de sinos e foguetes, consolidando de vez a matriz católica de Parobé.
Fontes:
MOSMANN, Lígia. Uma Fazenda, Um Sobrado, A Estação… Parobé, Uma História a Ser Contada. Prefeitura Municipal de Parobé. 1999
Revista Atafona nº 14, de junho de 2005.
Créditos da foto:
Acervo de José Guilherme Mosmann, editada/colorizada por Maicon Leite
Você tem fotos antigas de sua família ou de Parobé? Envie para o projeto! Basta mandar mensagens via Facebook, Instagram ou pelo e-mail historiadeparobe@gmail.com
A cópia, reprodução, adaptação, modificação ou utilização do conteúdo disponibilizado neste projeto, parcial ou integralmente, é expressamente proibida, nos termos da Lei n.º 9.610/98, exceto para trabalhos e pesquisas escolares/acadêmicos. Sobre as informações aqui contidas, não me responsabilizo por dados que possam estar errados e que foram extraídos de fontes como sites, livros, blogs, jornais, etc.
Projeto realizado por @maiconlcleite.
Parceiros:
Madeireira do Chico – https://www.instagram.com/madeireiradochico/
Rua João Mosmann, n° 471 – Centro – Parobé – WhatsApp: (51) 99977-8495
Educação Infantil Pequeno Príncipe – https://www.instagram.com/eei_pequeno_principe/
Rua Dr. Legendre, n° 57, Centro – Parobé – Telefone: (51) 99922-6343
Mosmann Alimentos – https://www.instagram.com/mosmannalimentosoficial
RS 239 · Km 43 · n° 5701 – Parobé – Televendas: (51) 3543-8500
Fabiano Lima Arquitetura – https://www.instagram.com/fabianolima.arq
Rua João Alfredo Feltes, 65, Parobé – WhatsApp: (51) 99702-1565
Edinho Chaves Tattoo – https://www.instagram.com/edinhochaves_tattoo
Av. Artuino Arsand, 120 – Galeria Monalisa – Parobé – (51) 99578-8080
Padaria Aurora – https://www.instagram.com/padaria_aurora_parobe
Av. das Nações, 667 – Guarujá, Parobé – (51) 98624-1064
Saft Embalagens – https://www.instagram.com/saftembalagens
Rua Lages, 94 – Parobé – Vila Nova – Fones: (51) 3543.1455 ou (51) 3543.1017
Cel.: (51) 9.9825.9111
Gold Center Fit – https://www.instagram.com/goldcf.parobe
R. Erechim, 17 – Centro, Parobé – (51) 99316-5565
Contex Brasil – https://www.instagram.com/contexbrasil
Rua Gustavo Lauck, 167, Parobé – (51) 3543-8700
Inscreva-se no nosso canal no YouTube: https://www.youtube.com/channel/UCdAPUfTuhm966PsZfGM96GA
Siga nosso perfil no Instagram:
https://www.instagram.com/historiadeparobe
Curta nossa página no Facebook:
https://www.facebook.com/HistoriadeParobe
Entre no nosso grupo no Facebook:
https://www.facebook.com/groups/historiadeparobe






