Foto tirada em 1956, com Ary Sady Selzlein posando ao centro junto a colegas no quartel em São Leopoldo, quando serviu ao Exército. O interessante nestas pesquisas é descobrir um pouco mais sobre as origens das pessoas que as ilustram. No texto de hoje, por exemplo, vamos descobrir que um antepassado de Ary, seu pentavô Johann Jost Werlang (também escrito como Joannes Jodocus Werlang), foi soldado de Napoleão Bonaparte durante as Guerras Napoleônicas, o que estabelece uma interessante conexão entre a fotografia e a trajetória familiar retratada. Em uma próxima matéria, conheceremos outro personagem da família que está ligado à guerras e batalhas, mas em solo gaúcho.
Sobre Ary Sady Selzlein:
Ary Sady Selzlein, falecido em 14 de janeiro de 2023, nasceu em 24 de abril de 1938 na Fazenda Pires. Era filho de Balduíno Selzlein (nascido em 1908) e Lorena Diefenbach (1918-1989), que se casaram em 26 de outubro de 1935. Ary também tinha uma irmã mais velha, Aracy Selzlein (1936-2012). Pelo lado materno, os avós de Ary eram Julio Diefenbach (nascido em 1871) e Olga Grün (nascida em 1899), casados em 24 de janeiro de 1919 em Igrejinha.
Os pais de Julio (bisavós de Ary) eram Carlos Diefenbach (1838-1879) e Elisabetha Molter (nascida em 1840), que contraíram matrimônio em 13 de abril de 1862, em Sapiranga. Ary casou-se com Cilze Nair Bauer em 14 de maio de 1966 e tiveram dois filhos: Eduardo Daniel Selzlein e Marcos Roberto Selzlein. Nair, por sua vez, nasceu em 1943 na localidade de Campo Pinheiro, atual Campo Vicente, e era filha de João Waldemar Bauer (1914–2007)e Melinda Ev.
O avô paterno de Ary Sady, João Selzlein, era dono do salão que Christiano Dienstmann Filho comprou por volta da década de 1950, o qual ficou conhecido como “Salão do Christiano” e também como Lancheria Central, situado na esquina entre as ruas João Corrêa e Dr. Legendre (atual prédio da Farmácia São João).
João Selzlein, nascido em 14 de outubro de 1878 na localidade de Padre Eterno, faleceu em 8 de junho de 1956 em Parobé. Casou-se em 24 de agosto de 1901, na cidade de Sapiranga, com Idalina Schmidt, nascida em 11 de fevereiro de 1881 em Novo Hamburgo e falecida também em Parobé, em 29 de março de 1960. Além de Balduíno, o casal teve mais seis filhos: João Emílio, Otília, Emma, Rosa, Wilma e Ela. Os pais de João Selzlein, e bisavós paternos de Ary, foram Wilhelm Selzlein (1849-1916) e Maria Gerhard (1849-1935), que se casaram em 15 de outubro de 1871, em São Leopoldo.
Viajando um pouco mais para trás na árvore genealógica, chegamos até os pais de Wilhelm: o imigrante Johannes Wilhelm Salzlein, nascido em 1813 em algum local da atual Alemanha, cuja viagem para o Brasil ocorreu em 1826, ao lado dos irmãos e dos pais, Friedrich Joseph Salzlein e Maria Margarida Haensel. Johannes casou-se com a também imigrante Anna Christina Werlang (1819-1896) em 22 de maio de 1841, na Igreja Nossa Senhora Madre de Deus, em Porto Alegre. O casal teve um total de cinco filhos: Maria, Wilhelm (bisavô de Ary Sady), Esthema, Christiana e Margarida.
Na documentação mais antiga, o sobrenome aparece grafado como “Salzlein”, passando posteriormente à forma “Selzlein”, adotada pelos descendentes no Brasil.

A família Werlang
A trajetória da família de Anna Christina Werlang traz detalhes fascinantes. Seu nascimento ocorreu no dia 26 de dezembro de 1819, na localidade de Westhofen, que integra o atual distrito de Alzey-Worms, situado no estado alemão da Renânia-Palatinado. Seus pais eram Christine Becker — nascida na vizinha Damscheid — e o militar e posteriormente agricultor Johann Jost Werlang.
Católico, Johann veio ao mundo em 24 de outubro de 1774, na pitoresca aldeia de Wiebelsheim bei Oberwesel am Rhein. Essa região fica encravada nas montanhas de Hunsrück, muito próxima ao lendário rochedo de Lorelei, às margens do Vale do Médio Reno. Trata-se de uma região profundamente ligada às lendas do Vale do Reno, posteriormente exploradas por Richard Wagner em parte de sua obra. O matrimônio de Johann e Christine foi celebrado em 25 de abril de 1797.
O contexto da época era de intensas disputas territoriais. Na virada do século, a expansão militar francesa anexou a margem esquerda do rio Reno, criando ali o chamado Departamento do Reno e Mosela (Département de Rhin-et-Moselle). Sob o novo domínio, os habitantes daquela área foram convocados para engrossar as fileiras da temida Grande Armée de Napoleão Bonaparte.
Segundo informações, Johann Jost Werlang teria alcançado elevada patente militar, possivelmente a de coronel, durante o período napoleônico. Contudo, a queda do império napoleônico em 1815 fez com que o Congresso de Viena repassasse a administração daquela província ao Reino da Prússia. Habituados a um código de leis francês mais brando, muitos moradores locais, incluindo Johann, rechaçaram o rígido conservadorismo prussiano. Essa recusa em viver sob a nova realidade política despontou como a principal razão para que ele decidisse buscar um recomeço em solo brasileiro.
Antes da grande travessia atlântica, houve uma tentativa de estabilidade na terra natal no período pós-guerra. A família inaugurou um empreendimento na própria aldeia de Wiebelsheim, onde Johann buscou atuar no ramo da hospedagem administrando a “Gasthaus Werlang”. O local possuía forte apelo turístico na época, atraindo visitantes por ser uma prestigiada área de caça, reconhecida pela grande presença de veados.
A decisão definitiva de imigrar dividiu parcialmente os parentes. O primogênito Jacob Werlang, que já havia constituído sua própria família, optou por continuar na Alemanha e assumiu o controle da estalagem do pai. Posteriormente, o imóvel acabaria sendo comercializado e batizado de “Gasthaus Nick” pelo novo proprietário — prédio que, curiosamente, abriga hoje a sede administrativa da prefeitura de Wiebelsheim.
A longa viagem do restante do grupo teve início no porto alemão de Bremen, em 25 de julho de 1825, a bordo de uma galera batizada de Friedrich Henrich. Johann viajou acompanhado de sua esposa Christine, então com 44 anos de idade, e de cinco de seus herdeiros: Bárbara, Maria Margarida, Cristina (Anna Christina), além dos rapazes João Pedro e Guilherme. Um fato singular é que, por terem nascido quando a região de Hunsrück ainda estava sob controle da França, os meninos foram registrados com nomes franceses (Jean-Pierre e Guillaume). Já outra filha do casal, Ana Maria Werlang, faria o mesmo trajeto migratório rumo ao Brasil apenas tempos depois, já casada e aos 22 anos.
O desembarque na capital do Império, o Rio de Janeiro, aconteceu no dia 8 de novembro de 1825. A ocasião teve grande prestígio, contando inclusive com a presença do próprio Imperador D. Pedro I para recepcionar os novos colonos. Destaca-se também o volume financeiro que Johann possuía em mãos ao chegar: cerca de 40.000 florins. Tratava-se de uma quantia bastante elevada para os padrões da época, indicando que a família possuía consideráveis recursos financeiros. Para dimensionar a importância dessa quantia, basta notar que o custo de uma passagem marítima individual de Hamburgo ao Brasil girava em torno de 120 florins.
A etapa final da jornada levou os viajantes à província mais meridional do país, o Rio Grande do Sul, a bordo do bergantim Galvão. Aportaram em Porto Alegre no dia 29 de dezembro de 1825. Sem perda de tempo, retomaram o percurso e, já no dia seguinte, 30 de dezembro, alcançaram a Feitoria Velha, na atual cidade de São Leopoldo. Aquele agrupamento representava um dos marcos iniciais e mais importantes da colonização europeia não portuguesa nas terras brasileiras.
Para compreendermos as raízes mais profundas dessa linhagem, pesquisas voltadas à história da região — com destaque para o livro “Família Werlang” (2005), assinado por William Werlang — demonstram que a grafia original do sobrenome era “Warlang”. A árvore genealógica documentada retrocede até o século XVII, começando com Johann Warlang, natural de Kisselbach, localidade também fixada no distrito de Rhein-Hunsrück. De sua união nasceu Heinrich Werlang (em 1675). Heinrich e sua esposa, Ana, deram à luz a Matthias Werlang no ano de 1707, na aldeia vizinha de Liebshausen. Dando sequência à família, Matthias contraiu matrimônio com Maria Barbara, e o casal teve Jacob Werlang em 1738. Finalmente, do casamento entre Jacob e Anna Christina Hartel, realizado em 1770 no povoado de Damscheid, nasceu o nosso patriarca e imigrante Johann Jost Werlang.
Consolidados no novo continente, Johann e Christine permaneceram no Brasil até o fim de seus dias, ambos falecendo na localidade de São José do Hortêncio. O óbito do patriarca ocorreu no ano de 1860, contudo, sua vasta descendência perdura até os dias atuais, mantendo viva a rica memória de seus antepassados. Dessa forma, desvendamos com riqueza de detalhes os percursos e cenários que moldaram a fascinante trajetória do pentavô paterno de Ary Sady Selzlein.
Ligações familiares:
Ary Sady Selzhein era meio-primo terceiro da minha avó, Erna Hartz. Os caminhos de nossas famílias se cruzam a partir de uma ancestral em comum: a matriarca e minha pentavó Apollonia Helena Schweitzer (1816–1904). A ramificação dessa árvore ocorreu porque Apollonia constituiu família a partir de dois relacionamentos distintos com membros da família Diefenbach. O primeiro deles foi com Johannes Diefenbach Filho, nascido em 1810, que havia emigrado para o Brasil com seus pais e irmãos no ano de 1825. O casamento foi celebrado em 12 de dezembro de 1829, na cidade de São Leopoldo. Dessa união nasceram três filhos: Luiz (1830), Philipp (1832) e Barbara Diefenbach (1836). Barbara é a ancestral direta que dá seguimento à linha matriarcal que chega até mim, passando por Maria Pauline Haag, Heinrich Leopold Hartz, minha avó Erna Hartz e minha mãe, Loiva Haag.
No entanto, a trajetória de Johannes Diefenbach Filho foi tragicamente interrompida por um dos conflitos mais sangrentos do período regencial brasileiro. Em 1836, ele foi capturado e morto em combate durante a Guerra dos Farrapos (Revolução Farroupilha). O episódio encontra-se documentado no capítulo “Família Diefenbach”, assinado pelo pesquisador M. C. Diefenbach na obra “Famílias de Origem Alemã no Rio Grande do Sul, Volume I” (2015).
Viúva em meio às incertezas da revolução, Apollonia Helena casou-se pela segunda vez em 23 de julho de 1843, também em São Leopoldo. O novo matrimônio ocorreu com o irmão mais novo de seu falecido marido, Johann Peter Diefenbach (1812–1859). Foi desse segundo ramo que nasceu Carlos Diefenbach (1838–1879), bisavô de Ary. Carlos foi pai de Julio Diefenbach, que gerou Lorena Diefenbach, a mãe de Ary. É justamente essa descendência a partir de irmãos biológicos casados com a mesma matriarca que estabelece o parentesco de meios-primos terceiros entre minha avó Erna e Ary.
Crédito da foto:
Foto do acervo de Ary Sady Selzlein – digitalizada/editada por Maicon Leite
Fontes:
DIEFENBACH, M. C. Família Diefenbach. In: Famílias de Origem Alemã no Rio Grande do Sul. Volume I. São Leopoldo: [s. n.], 2015.
WERLANG, William. Família Werlang. [S. l.: s. n.], 2005.
Bases de Dados Genealógicos
FAMILYSEARCH. Ary Sady Selzhein (GLF5-29M). Árvore Familiar. [S. l.], [s. d.]. Disponível em: https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/GLF5-29M. Acesso em: 3 ago. 2026.
FAMILYSEARCH. Joannes Jodocus Werlang (LCR9-FZY). Árvore Familiar. [S. l.], [s. d.]. Disponível em: https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/LCR9-FZY. Acesso em: 3 ago. 2026.
GENEANET. Johann Wilhelm Verlin (Werlang). Árvore genealógica de mkiemen. [S. l.], [s. d.]. Disponível em: https://gw.geneanet.org/mkiemen?lang=pt&n=werlang&p=johann+wilhelm+verlin. Acesso em: 3 ago. 2026.
GENI. Johann Jost Werlang. Perfil genealógico. [S. l.], [s. d.]. Disponível em: https://www.geni.com/people/Johann-Jost-Werlang/6000000001383615459. Acesso em: 3 ago. 2026.
Você tem fotos antigas de sua família ou de Parobé? Envie para o projeto! Basta mandar mensagens via Facebook, Instagram ou pelo e-mail historiadeparobe@gmail.com
A cópia, reprodução, adaptação, modificação ou utilização do conteúdo disponibilizado neste projeto, parcial ou integralmente, é expressamente proibida, nos termos da Lei n.º 9.610/98. Sobre as informações aqui contidas, não me responsabilizo por dados que possam estar errados e que foram extraídos de fontes como sites, livros, blogs, jornais, etc.
Projeto realizado por @maiconlcleite.
Parceiros:
Madeireira do Chico – https://www.instagram.com/madeireiradochico/
Rua João Mosmann, n° 471 – Centro – Parobé – WhatsApp: (51) 99977-8495
Educação Infantil Pequeno Príncipe – https://www.instagram.com/eei_pequeno_principe/
Rua Dr. Legendre, n° 57, Centro – Parobé – WhatsApp: (51) 99922-6343
Mosmann Alimentos – https://www.instagram.com/mosmannalimentosoficial
RS 239 · Km 43 · n° 5701 – Parobé – Televendas: (51) 3543-8500
Fabiano Lima Arquitetura – https://www.instagram.com/fabianolima.arq
Rua João Alfredo Feltes, 65, Parobé – WhatsApp: (51) 99702-1565
Edinho Chaves Tattoo – https://www.instagram.com/edinhochaves_tattoo
Av. Artuino Arsand, 120 – Galeria Monalisa – Parobé – (51) 99578-8080
Padaria Aurora – https://www.instagram.com/padaria_aurora_parobe
Av. das Nações, 667 – Guarujá, Parobé – (51) 98624-1064
Saft Embalagens – https://www.instagram.com/saftembalagens
Rua Lages, 94 – Parobé – Vila Nova – Fones: (51) 3543.1455 ou (51) 3543.1017
Cel.: (51) 9.9825.9111
Gold Center Fit – https://www.instagram.com/goldcf.parobe
R. Erechim, 17 – Centro, Parobé – WhatsApp: (51) 99316-5565
Contex Brasil – https://www.instagram.com/contexbrasil
Rua Gustavo Lauck, 167, Parobé – (51) 3543-8700
Raissa Rinker | Fotografia – https://www.instagram.com/raissarinkerfotografia
R. Guarani, 49 – Centro, Parobé – WhatsApp: (51) 99955-4767
Inscreva-se no nosso canal no YouTube: https://www.youtube.com/channel/UCdAPUfTuhm966PsZfGM96GA
Siga nosso perfil no Instagram:
Curta nossa página no Facebook:
Entre no nosso grupo no Facebook:






