As origens de Carl Auler e Catharina Kurz, avós dos irmãos Auler
No texto de hoje vamos revisitar a história e origens de Carl Auler e Catharina Kurz, avós dos irmãos Wilma, Oscar, Helmuth e Obilda, já retratados aqui anteriormente. Como visto em outra ocasião, a origem da família remete a Dois Irmãos, cuja história está inteiramente ligada à chegada das primeiras levas de imigrantes alemães no Rio Grande do Sul. Consta que Dois Irmãos “recebeu os primeiros colonos a partir de 1825, entre eles Pedro Baum e família, lavrador e sapateiro, do Hunsrück”.
A fixação da linhagem dos Auler em solo gaúcho ocorreu a partir de 1847 com a chegada de Johann Nickolaus Auler (pai de Carl). De acordo com documentos de imigração, Johann Nickolaus chegou a São Leopoldo em 19 de julho de 1847. A família partiu do porto de Hamburgo a bordo do brigue Antonia até Rio Grande, embarcou no vapor Porto Alegrense em direção a Porto Alegre e, por fim, seguiu para São Leopoldo.
Relatórios da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul (1859) confirmam na lista de passageiros os nomes de Christoph Auler (1801–1872) e de seu filho Johann Nickolaus (1823–1902). Christoph era casado com Anna Eva Lang (1793–1876). Johann Nickolaus, nascido em Argenthal (distrito de Rhein-Hunsrück, Alemanha), casou-se com Anna Katharina Ries (1829–1916) em 1º de abril de 1847, ano da imigração. Anna Katharina era filha de Nicolaus Ries e Anna Christina Conrad.
Este documento está disponível online no site da Hemeroteca Digital Brasileira, onde consta em relatório do conselheiro Angelo Moniz Silva Ferraz entregue a Presidência da Província de S. Pedro do Rio Grande do Sul em 1859. No relatório, consta: “Conta das despezas feitas por emprestimo, pelo cofre provincial com os colonos estabelecidos na colonia de S. Leopoldo, abaixo mencionados que chegárão á esta Capital ao 1.º de Janeiro, 11 de Março e 19 de Julho de 1847, os quaes assignárão termos em que se obrigárão a indemnizar as referidas despezas dentro do prazo de tres annos por intermedio da Camara Municipal do mesmo lugar; o que ainda não se realisou”.
Um detalhe interessante desta travessia marítima foi a presença da família Wasem a bordo do mesmo navio. No mesmo relatório mencionado acima, estavam os nomes de Guilherme Wasem, Oswald Wasem e Elisabet Wasem. Mais de um século depois, descendentes desta família seriam parceiros de negócios dos Auler em Parobé, pois era dos Wasem a serraria da Rua João Mosmann que fornecia produtos para a loja dos Irmãos Auler, localizada do outro lado da rua. A viagem também ilustra a forte endogamia das famílias da época: junto viajou Johann Matthias Ries (irmão de Anna Katharina Ries), que era casado com Anna Catharina Auler (irmã de Johann Nickolaus).
A geração nativa e a estabilização
A união de Carl Auler e Catharina Kurz representa um momento de estabilização e enraizamento das famílias na região. Diferente da geração de seus pais, que vivenciou os rigores do desbravamento e a travessia do Atlântico, Carl e Catharina já pertenciam à primeira geração nativa, nascida e criada em um cenário onde a colônia começava a ganhar contornos definitivos de comunidade.
Carl nasceu em 18 de janeiro de 1859, em Dois Irmãos. Na época de seu nascimento, seus pais tinham 35 e 29 anos. No ano seguinte, em 22 de junho de 1860, nasceu sua futura esposa, Catharina Kurz.
A ascendência de Catharina tem origens em Oberdiebach (distrito de Mainz-Bingen, Prússia). Ela era filha de Ludwig Daniel Kurz (1832–1909) e Rosina Katharina Fülber (1839–1909). Seus pais haviam se casado em 13 de dezembro de 1857, em Dois Irmãos. Um aspecto relevante nesta genealogia é a expressiva longevidade das gerações fundadoras: os pais de Carl viveram até os 78 e 86 anos, enquanto os pais de Catharina alcançaram 77 e 69 anos, uma marca de vitalidade excepcional para os padrões de saúde do século XIX.
Crescendo nesta base familiar estruturada, Carl e Catharina cruzaram seus destinos muito jovens. O casamento ocorreu em 27 de julho de 1878, em Dois Irmãos, quando o noivo tinha 19 anos e a noiva havia recém-completado 18. Essa união precoce era uma característica fundamental da economia colonial, onde a formação de uma nova família significava a abertura de frentes de cultivo e a garantia de mão de obra. O resultado foi uma prole numerosa, composta por 12 filhos documentados, que garantiram a ramificação do sobrenome Auler por toda a região.
É a esta fase de consolidação familiar que pertence o retrato fotográfico do casal, estimado entre os anos de 1900 e 1910. O registro visual de Carl e Catharina — caracterizado pelo rigor das roupas escuras, o uso do camafeu e o corte da barba — ilustra o distanciamento da precariedade dos primeiros anos de colônia e a transição para um padrão de vida mais estruturado.
Ao contrário de outros colonos contemporâneos que participaram do êxodo para o interior do estado, a trajetória de Carl e Catharina foi de profunda fidelidade à terra natal. A vida do casal transcorreu nos limites de Dois Irmãos, com laços estreitos com a localidade de Picada Verão. A união foi interrompida em 28 de fevereiro de 1918 com o falecimento de Catharina, aos 57 anos. Carl vivenciou quase duas décadas de viuvez até falecer em 21 de junho de 1937, aos 78 anos. O sepultamento de ambos no Cemitério da Picada Verão simboliza a completude de um ciclo: repousaram no exato pedaço de chão que suas famílias ajudaram a construir.
Ligações familiares:
Como tradicional nota de curiosidade genealógica, os levantamentos apontam um cruzamento com a minha própria história familiar: Rosina Katharina Fülber (mãe de Catharina Kurz) era prima da hexavó da minha esposa, Louisa Katharina Elisabeth Franziska Bruxel (1832–1900), que foi casada com Joseph Boll (1827–1887).
Créditos da foto:
Acervo de Sintia Heimfarth (foto postada no FamilySearch) – Edição por Maicon Leite
Fontes:
DOIS IRMÃOS (Município). História. Prefeitura Municipal de Dois Irmãos. Dois Irmãos, [2026]. Disponível em: https://doisirmaos.atende.net/cidadao/pagina/historia. Acesso em: 24 abr. 2026.
RIO GRANDE DO SUL (Província). Relatório com que o Exm. Sr. Conselheiro Angelo Moniz da Silva Ferraz entregou a presidência da Província de S. Pedro do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Typ. do Correio do Sul, 1859. Disponível em: https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=252263&Pesq=Winck&pagfis=1729. Acesso em: 23 abr. 2026.
FAMILYSEARCH. [Carl Auler] (G93S-7YD). Árvore Familiar. Salt Lake City: Intellectual Reserve. Disponível em: https://www.familysearch.org/en/tree/person/details/G93S-7YD. Acesso em: 23 abr. 2026.
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