Ana Maria Fay e as raízes de Parobé: Uma trajetória entre a colonização e o legado histórico
A história de Parobé e a consolidação do seu tecido urbano e social encontram em Ana Maria Fay um ponto de convergência muito importante. O retrato capturado em 1896 pelas lentes do pioneiro Balduíno Röhrig, em Porto Alegre, atua como um documento visual que nos transporta para a época em que o Vale do Paranhana estava sendo forjado.
Nascida em 16 de maio de 1862, em Santa Cristina do Pinhal — região então pertencente a São Leopoldo —, Ana Maria foi parte integrante de uma linhagem que transformou a paisagem local. Na ocasião de seu nascimento, seu pai, Joannes Nicolaus Fey, contava com 51 anos, e sua mãe, Maria José Martins Philereno, tinha 41 anos, sendo Ana praticamente a caçula dos 11 filhos do casal.
As origens germânicas e a construção do sobrado
Pelo lado paterno, o legado remete à imigração alemã. Seu pai — conhecido como João Fay Palmeiro — nasceu em 1º de setembro de 1810 em Budenbach, no Reno-Hunsrück (Renânia-Palatinado). João era filho de Johannes Christianus Fey (1798-1816), que nunca deixou a Alemanha, e de Maria Susanna Peitz (1784-1853), esta última tendo desembarcado no Brasil em 14 de maio de 1829.
João Fay estabeleceu-se como um construtor de renome. Sua perícia o trouxe de São Leopoldo para a região de Parobé com a missão de supervisionar a construção de uma casa para a família Martins. A integração de João à família ocorreu de forma definitiva através de seu casamento com Maria José Martins, celebrado por volta de 1840.
A herança territorial dos Martins Philereno
A mãe de Ana Maria, Maria José, era filha do pioneiro catarinense José Da Rosa Martins Philereno (1786-1866) e de Maria Narciza Pires Cerveira (1788-1852). A família Martins fixou-se na região entre 1830 e 1840, estabelecendo uma propriedade com extensões de sesmaria. As terras iam das imediações do Morro Leão até as margens do Rio Paranhana (Santa Maria), e do Rio dos Sinos até os limites com o Salto e a Solitária.
Essa vasta área abrangia quase toda a margem esquerda do atual município de Parobé. Com o passar das décadas, a imponente “Fazenda Martins” fragmentou-se entre herdeiros e novos colonos alemães, tornando-se, em 1884, uma propriedade subdividida em cerca de 77 hectares. A partir de sua união, João Fay obteve terras próximas ao Arroio Funil, consolidando o núcleo que viria a ser conhecido como a Fazenda Fay, enquanto a grafia do sobrenome ia sendo gradativamente aportuguesada de “Fey” para “Fay”.
Os laços matrimoniais e a descendência
Ana Maria uniu sua trajetória à de Manuel Alves dos Santos. Nascido em 20 de maio de 1857, em Taquara do Mundo Novo, Manuel era filho de Francisco Alves dos Santos e Maria Angélica Maciel (que contavam com 25 e 28 anos, respectivamente, no momento de seu nascimento). Os registros históricos também apontam que Manuel casou-se com Francisca de Oliveira em 1890, em Taquara, união da qual descendem pelo menos um filho e uma filha. Do casamento entre Ana Maria e Manuel, nasceram quatro filhos que dariam sequência à linhagem: Maria Celeste, Maria Moema, Maria Edite e Luiz Alves dos Santos (Luiz Fay dos Santos).
A descendência da Fazenda Fay ganhou novos contornos genealógicos através de Luiz. Ele perpetuou a história local ao casar-se com Maria Suelly Mosmann (1906-1985), filha de Moysés de Souza Pires Mosmann (filho de João Mosmann e Rita Pires de Souza) e Maria Izabel Raymundo, unindo definitivamente os ramos de Ana Maria aos pioneiros da família Mosmann.
Despedida e eternização
Ana Maria Fay faleceu em 10 de junho de 1933, aos 71 anos, em decorrência de uma pleurisia. Seu sepultamento ocorreu em Parobé, que à época ainda era um distrito pertencente ao município de Taquara. Seu papel na história local foi, com justiça, reconhecido oficialmente. No bairro Alexandria, onde a história de sua família lançou raízes profundas, ela é homenageada com o nome de uma rua e da Escola Municipal de Ensino Fundamental Prof. Ana Maria Fay dos Santos. O resgate de sua biografia é um passo essencial para compreender como as antigas sesmarias deram lugar à cidade que conhecemos hoje.
A foto de Balduin Röhrig
Como consta no verso, a foto foi tirada em 1896, pelo fotógrafo e pintor de origem alemã Balduíno Röhrig. Segundo artigo de Clara Eloisa da Fontoura Ungaretti (UFRGS, publicado na Revista Eletrônica Ventilando Acervos em 2019), ele chegou a Porto Alegre em 1865, logo começando a trabalhar, e em 1869 abriu um estúdio fotográfico na Rua da Praia, sendo um dos primeiros profissionais estabelecidos na capital. A fotografia ainda era uma novidade recente e sua técnica era avançada para os padrões provincianos, e ele não tardou a firmar reputação como um dos mais requisitados fotógrafos locais. Seu estúdio estava situado no número 40 da Rua do Rosário (atual rua Vigário José Inácio), em Porto Alegre. A montagem da foto em um cartão rígido com bordas, a ornamentação no rodapé e o espaço de respiro ao redor da pessoa indicam o formato Cabinet Card (ou um Carte de Visite grande), que atingiu o seu pico de popularidade global para retratos de estúdio exatamente na época em que a foto foi clicada. A sofisticação da litografia no rodapé do cartão, com o endereço fixo na Rua do Rozário, aponta para o período de maturidade de seu estúdio comercial, que floresceu nas décadas de 1880 e 1890.
Ligações familiares:
Ana era prima em 12º grau do meu bisavô Irineu Ferreira Leite Sobrinho (1878 – 1923), casado com Natália Gonçalves Moreira (1889), naturais de Dom Pedrito. Tal ligação vem através de sua mãe, Maria José Martins. Ao mesmo tempo, Manuel Alves Dos Santos era primo sétimo da minha tetravó paterna Maria Fausta da Roza (1832–1902), casada com Irineu Ferreira Leite (1831–1871), coincidentemente pais do já citado Irineu Ferreira Leite Sobrinho.
Crédito das fotos:
Acervo do Museu Histórico de Parobé – digitalizadas/editadas por Maicon Leite. A restauração e colorização da foto de Ana nos dá um vislumbre melhor de sua aparência e da roupa que estaria usando, bem como visual do estúdio fotográfico.
Fontes:
FAMILYSEARCH. Árvore Familiar: [Ana Maria Fey]. Salt Lake City: FamilySearch International, 2026. Disponível em: https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/KCP7-7MW. Acesso em: 16 abr. 2026.
MOSSMANN, Ligia. Uma fazenda, um sobrado, a estação… Parobé, uma história a ser contada. Parobé: [s. n.], 1999.
UNGARETTI, Clara Eloisa da Fontoura. Revista Eletrônica Ventilando Acervos.
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