Especial Logradouros: Mapeamento histórico e contexto da Rua Fernando Saft

Damos início, com este material, a um novo especial, desta vez focado no mapeamento histórico dos logradouros do município. O propósito deste projeto é pesquisar, documentar e explicar a origem da nomenclatura das ruas e praças locais. A cada edição, o levantamento destacará o que for possível da biografia daqueles que cederam seus nomes aos espaços públicos.

A proposta é oferecer um registro detalhado sobre quem foram essas pessoas e qual os papéis desempenharam na fundação, administração e estruturação da nossa comunidade ao longo das décadas. Muitas vezes, a população percorre os caminhos da cidade sem o conhecimento da história por trás de cada placa. O objetivo deste especial é resgatar e apresentar essas informações. Nesta primeira parte, vamos descobrir um pouco mais sobre a Rua Fernando Saft e suas características, bem como registrar fotos atuais para a posteridade.

Embora não se tenha uma data oficial da abertura da rua, temos alguns indícios de fotos antigas que mostram a rua já bem definida na década de 1960, com poucas casas, ainda em chão batido. A rua tem início na esquina com a Rua João Mosmann, e segue até o final da lomba, aonde antes havia as pedras remanescentes da construção da ERS-239 e que posteriormente foram retiradas para sua duplicação. Muito antes disso, porém, aquele trecho fazia parte do morro. Ali, se une à Rua Francisco Alves e à Rio Grande do Sul.

Anteriormente, a atual Rua Coberta da Praça 1º de Maio era a continuação da Rua Fernando Saft, até que foi criado o calçadão e depois, enfim, a Rua Coberta. De prédios antigos mais significativos, a rua sedia a Sociedade Cultural e Recreativa Parobé, cujo prédio de alvenaria foi inaugurado no ano de 1970, e o prédio que sediava a Calçados Bibi. Algumas casas construídas por volta das décadas de 1950/1960 (ou talvez antes) ainda estão de pé, num grito silencioso contra o “progresso”. A rua também já recebeu desfiles e durante os sábados à noite era muito movimentada devido às festas na Boate Karaoukê.

A origem de Fernando Saft e Lina Ludwig

Nascido em 17 de fevereiro de 1890, em Parobé, Fernando Saft era filho de Moritz Adolf Saft (então com 41 anos) e Carolina Port (39 anos). Casou-se com Lina Maria Ludwig, nascida em 11 de outubro de 1893, também em Parobé, filha de Gustav Wilhelm Ludwig e Maria Sander.

O casal construiu sua vida no município. Fernando faleceu em 15 de outubro de 1961, aos 71 anos, e Lina em 31 de julho de 1984, aos 90 anos. Desse matrimônio nasceram os filhos Arcide Siegfrid (1915 – 1993), Werner Oscar (1921), Hedvig Maria (1927–2023), Bruno Ewald e Kurt.

O impacto no setor calçadista local

A família Saft teve grande importância no desenvolvimento industrial de Parobé. Os filhos de Fernando e Lina destacaram-se no empreendedorismo. Arcide Siegfried, conhecido pelo apelido de “Nariz”, foi um dos fundadores da Saft, Schmidt & Cia. Ltda. em 1944, matriz que deu origem à Starsax. Em 1949, Arcide desligou-se da empresa para participar da fundação da Calçados Bibi com Rudi G. Ludwig e com seu cunhado, Albino Eloy Schweitzer — marido de Hedwig Maria.

Em paralelo, Bruno Ewald fundou a Saft & Kappel Cia. Ltda. em 1955, precursora da Cartonagem Saft, atual Saft Embalagens. Naquele mesmo ano, ocorreu o falecimento precoce do irmão Kurt, aos 26 anos de idade. Além da forte atuação empresarial, os irmãos Saft eram conhecidos pelo envolvimento com o esporte local, integrando o elenco de clubes como o Grêmio Esportivo Parobé.

A antiga residência dos Saft no centro da cidade

A família morava na Rua João Mosmann, nº 83 — endereço onde atualmente funciona a Estação 183. O imóvel é uma referência de como eram as habitações no centro de Parobé décadas atrás. Um dos registros fotográficos da época mostra Fernando e Lina posicionados na janela da casa, com Werner, Hedwig e o então menino Bruno Ewald logo abaixo.

Na década de 1960, a vizinhança já contava com atividade comercial estabelecida. No entorno da residência funcionavam pontos como o Armazém do Edu Schuch, a Loja Schuch e a loja de móveis dos irmãos Auler.

Em depoimento para o documentário “Estação Parobé”, Dailor Eloy Schweitzer – filho de Albino Eloy Schweitzer e Hedwig Maria Saft – relembrou os tempos com o avô Fernando Saft, que cuidava da correspondência que vinha pelo trem: “O meu avô Fernando, aqui em Parobé, recebia as correspondências, era o homem do Correio, e eu vinha já desde pequenininho, eu vinha aqui com ele buscar a correspondência. Então, eu vivia em um entorno aqui, porque a minha casa ficava bem aqui na frente, um pouquinho lá, e tem lances assim, que eu vinha com o meu avô, eu já ficava esperando ele na porta lá, para quando ele vinha, para vir aqui buscar a correspondência…”.

Genealogia e imigração

As raízes deste ramo da família Saft no Brasil remetem ao imigrante Johann Friedrich Saft, avô de Fernando. Johann nasceu em 16 de junho de 1808 em Bezirk Bielitz (Distrito de Bielitz), na Silésia austríaca — distrito do então Império Austro-Húngaro, cuja capital, Bielitz, corresponde hoje a Bielsko-Biała, na Polônia. De confissão protestante, Johann casou-se com Carolina Tischendorf por volta de 1844, ainda na Europa. Carolina nasceu em 14 de julho de 1825, na mesma região, filha de Karl Tischendorf.

O casal emigrou para o Brasil em 1858, partindo do porto de Bremen a bordo do navio a vapor Anna Louisa. Carolina faleceu em 31 de maio de 1880, aos 54 anos, sendo sepultada em Nova Petrópolis. Johann Friedrich faleceu pouco depois, em 14 de abril de 1883, em Linha Nova, aos 74 anos.

Ligações familiares:

Lina Maria Ludwig era prima em oitavo grau da minha avó, Erna Hartz (1911–1980), casada com Alfredo Henrique Haag (1912–1982).

Créditos das fotos:

Mirla Mirley / Museu Histórico de Parobé / Maicon Leite / Google – editadas por Maicon Leite.

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Maicon Leite

Criador do projeto Trilhando a História de Parobé e Presidente da AMUPA - Associação dos Amigos do Museu Histórico de Parobé

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