Memórias de Parobé: Raízes e trajetória de Arnildo Haag e Arnilda Weber

Um registro fotográfico clicado entre as décadas de 1960 ou 1970 eterniza o casal Arnildo Haag e Arnilda Weber, figuras conhecidas na história de Parobé. Naquela época, eles residiam na Rua João Mosmann, quase em frente ao local onde hoje funciona o Museu Histórico de Parobé.

Nascido em 6 de julho de 1920, Arnildo era filho de Reinhold Haag (1891–1981) e Maria Izolina Joaquina Da Silva (1902–1964), moradores da localidade de Campo Vicente. Arnildo era o primogênito e possuía quatro irmãos: Alzira Haag (1922 – sem data), Anisio Haag (1924–1992), Aracy Haag (1929–2019) e Adivio Haag (1936 – sem data).

A juventude de Arnildo foi marcada por seu primeiro casamento, realizado em 12 de julho de 1942, com Ermilita Fassbinder (1926–1954), filha de Jacob Fassbinder e Alsira Alves. Conforme relata Ernani Haag no livro “A Decisão”, o casal estabeleceu residência na localidade do Funil, em Parobé. Dessa união nasceu o único filho de Arnildo, Enio Arnildo, em 8 de setembro de 1943. O casamento durou até o falecimento precoce de Ermilita, aos 28 anos.

Após ficar viúvo, Arnildo casou-se novamente, desta vez com Arnilda Weber. Ela era filha de Adolfo Weber (1884–1965) e Maria Blondine Matte (1889–1971), cujo casamento ocorreu em 30 de julho de 1910. Entre os filhos do casal estavam Arnilda Weber (1915–1994), Ilga Weber (1921–sem data) e Arnilda Weber. Arnilda nasceu no dia 10 de fevereiro de 1915.

Ela também era viúva. Foi casada com Alfredo Rainoldo Flesch (1915–1954), cujo matrimônio data de 5 de junho de 1937, realizado em Parobé.

Ela era aposentada, residia no Lar OASE e faleceu aos 79 anos de idade, às 09h20 do dia 26 de outubro de 1994, no Hospital de Caridade, na cidade de Taquara. As causas do falecimento registradas foram insuficiência cardíaca, cardiopatia isquêmica e arteriosclerose. O seu sepultamento ocorreu no Cemitério Evangélico de Parobé. O declarante de seu óbito foi seu enteado, Enio Arnildo Haag. O casal Arnildo e Arnilda não teve filhos e construiu sua vida no centro de Parobé.

Na vida profissional, Arnildo atuava como comerciante. Ele também exercia um papel ativo na sociedade local, integrando a Diretoria da Comunidade Evangélica de Confissão Luterana Martin Luther de Parobé durante a década de 1970.

A sua morte ocorreu em 22 de fevereiro de 1993, de forma repentina e profundamente ligada aos laços familiares que cultivava. Arnildo sofreu um infarto fulminante ao receber a notícia do falecimento de sua afilhada, Leni Olweiler Lelling, e de Arno Lelling, vítimas de um grave acidente de trânsito em Santa Catarina.

O Elo Genealógico e a Imigração

A linhagem de Arnildo remonta aos primórdios da imigração alemã na região. Ele era trineto de Franz Peter Haag (1799–1891) e Anna Elisabetha Antes (1797–1846), imigrantes que deixaram a Alemanha rumo ao Brasil em 1846 acompanhados dos filhos. A travessia do Atlântico foi marcada pela perda de Anna Elisabetha, que não resistiu à viagem e teve seu corpo sepultado no mar.

Por parte de Arnilda, a herança germânica revela uma extensa rede de pioneiros. Conforme os registros genealógicos da família, seus avós paternos eram Frederico Carlos Augusto Weber (1854–Falecido) e Maria Schmitt (1855–1897), e os avós maternos eram João Pedro Matte (1850–1925) e Maria Dreher (1856–1933). Aprofundando as raízes, a genealogia identifica os pais de Maria Schmitt como Johannes Schmitt e Elisabeth Schweitzer, além de listar as linhagens ancestrais atreladas a Johannes Schäfer e Anna Christina Schweitzer.

O bisavô de Arnilda era o imigrante Georg Philipp Heinrich Weber (falecido em 1916), que se casou com Philippine Rissel (1823–1901) em 24 de janeiro de 1847, na localidade de Wallbach. Os pais de Philippine Rissel também constam nos registros familiares como Philipp Andreas Rissel e Catharine Wilhelmine Koch. Além de deixar sua marca em Campo Bom, onde residiu e faleceu, Georg Philipp Heinrich atuou como professor, fato documentado no livro “A nova face dos Mucker”, de Moacyr Domingues.

A genealogia da família Weber revela ainda uma forte ligação com a liderança religiosa da época. Os dados detalham que Georg Philipp Heinrich era filho de Johann Heinrich Weber e Susanna Catharina Schäfer, sendo irmão de Philipp Andreas Weber (1815–1879). Este irmão — tio-bisavô de Arnilda — é o conhecido Pastor Philipp Weber. Conforme o registro de passageiros do Vapor Anna, com saída do Porto de Antuérpia, o pastor Philipp Weber (então com 42 anos) imigrou para o Brasil em 1855 acompanhado de sua esposa, Margarethe Uhl (41 anos, natural de Weyerbach, no Principado de Birkenfeld), e de seus cinco filhos: Julius (17 anos), Wilhelmine (13 anos), Heinrich (7 anos), Mathias (6 anos) e Susane (5 anos). O documento ainda atesta a origem da família ligada ao território de Oldemburgo. É bem provável que seu irmão Georg Philipp Heinrich tenha vindo para o Brasil nesta mesma viagem citada acima.

Segundo informações coletadas por Patricia Diane Weber e postadas no Family Seach, a trajetória de Philipp Andreas Weber foi intensa: em 1858, ele é citado como mestre-escola em Campo Bom. No ano seguinte, em 15 de outubro de 1859, radicou-se em Linha Nova, onde, a pedido da comunidade, assumiu as funções de pastor-leigo evangélico. Ele atendia simultaneamente as localidades de São José do Hortêncio, Picada Café e Nova Petrópolis e, de forma avulsa, Feliz e Linha Brochier.

Em fevereiro de 1868, com a chegada do pastor teólogo diplomado Heinrich W. Hunsche a Linha Nova, estabeleceu-se um longo conflito de liderança religiosa entre os dois, situação que perdurou até o fim da vida de Weber. Uma imagem histórica, publicada por Hunsche (1983, p. 46-47), mostra o pastor-leigo Philipp Andreas Weber ao lado de sua esposa Margarethe. O pastor faleceu em 1879 e foi sepultado a cerca de 1 km de Linha Imperial, no antigo “Webersche Friedhof” (Cemitério dos Weber). Este espaço histórico, infelizmente, acabou sendo transformado em roça no ano de 1978.

Ligações familiares:

Reinhold Haag era primo segundo do meu avô Alfredo Henrique Haag (1912–1982), casado com Erna Hartz (1911–1980). Sendo assim, Arnildo era primo terceiro da minha mãe, Loiva Haag. Compartilhamos a mesma ancestralidade: Arnildo é trineto dos imigrantes Franz Peter Haag (1799–1891) e Anna Elisabetha Antes (1797–1846), dos quais sou tetraneto.

Crédito da foto:

Acervo de Lúcio Arlindo Schirmer – Digitalizada/editada/colorizada por Maicon Leite

Fontes:

BLUME, Sandro. Morte e morrer nas colônias alemãs do Rio Grande do Sul: recortes do cotidiano. 2010. 291 f. Dissertação (Mestrado em História) – Programa de Pós-Graduação em História, Universidade do Vale do Rio dos Sinos, São Leopoldo, 2010.

DOMINGUES, Moacyr. A nova face dos Mucker. São Leopoldo: [s.n.], 1977.

FAMILYSEARCH. Árvore Familiar: Arnildo Haag (1920–1993). Disponível em: https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/MPH7-1H9. Acesso em: 29 jul. 2026.

FAMILYSEARCH. Árvore Familiar: Arnilda Weber (1915–1994). Disponível em: https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/PMKY-FBX. Acesso em: 29 jul. 2026.

FAMILYSEARCH. Árvore Familiar: Philipp Andreas Weber (1815–1879). Disponível em: https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/K8XB-TTY. Acesso em: 29 jul. 2026.

HUNSCHE, C. H. Protestantismo no Sul do Brasil: nos 500 anos do nascimento de Lutero (1483-1983). Porto Alegre: EST; Sinodal, 1983.

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